O que torna uma turma especial?

Sabe do que me dei conta semana passada? Terminei de ministrar o módulo de Pensamento Sistêmico em um MBA em que leciono e pensei: “Puxa, qual o critério para indicar se uma turma é boa?” Fazia sentido, pois, alguns dias antes, encontrei uns amigos professores que conversavam justamente sobre isso. Um dizia: “Ah, a turma tem que ser de bom tamanho senão não há participação, troca. Turma pequena é difícil.” Outro: “Eu não me importo, grande ou pequena, tem que pensar que sempre vai ser uma aula boa.” Fiquei pensando no assunto, meio que concordando ao mesmo tempo com ambos. Mas aí tive esta turma e veio o “clique”: uma turma boa é aquela que faz o professor trabalhar.

Foi justamente o que aconteceu com aquela turma que acabei de mencionar: me fez trabalhar. Me fez eu me mexer. Muita gente me desafiando (e se desafiando), me perguntando, querendo saber os porquês, inquietos, sem concordar com tudo o que dizia, e sendo muito agradecidos e cordiais com aquilo que fazia sentido para eles. Que massa! Eu cresci, eles também.

Por que estou mencionando isso? Para compartilhar uma ideia e para trazer aqui novidades do mundo sistêmico. Na verdade, dos filmes sistêmicos. Alguns estudantes desta turma me sugeriram filmes, os quais assisti alguns, de modo que apresento-os brevemente aqui e também na página Filmes sistêmicos.

O primeiro é “A Chegada” (Arrival). Estava eu dando aula sobre linguagem sistêmica e argumentando sobre a influência entre linguagem e pensamento, baseado na ideia de Vygotski, quando, de repente, um estudante revela: “Nossa profe, é o mesmo argumento do filme ‘A Chegada’.” Como sempre, eu disse: “Fale-me mais sobre isso.” E ele apresentou-me o enredo.

De fato, “A Chegada” é sobre a vinda de extraterrestres ao nosso planeta e sobre a tentativa de estabelecer comunicação. Para tal, uma linguista foi contratada. Não vou contar os detalhes, mas o ponto importante aqui é que ela acaba reconhecendo a língua dos ETs e, ao conhecê-la, ela tem flashes do futuro. Ou seja, é uma linguagem que te coloca em contato com um tempo circular. Como menciona a Galileu, “é uma interpretação de uma teoria linguística que ganhou força na segunda metade do século 20 e hoje perde espaço para os avanços da psicologia e da neurociência: a hipótese de Sapir-Whorf.” Muito bacana.

Os outros filmes eu exploro num próximo post. São “Fome de poder”, “A grande aposta” e “O círculo”. Até lá. Ah, e minha gratidão a esta e todas as turmas e estudantes que fizeram de mim uma pessoa melhor.